A
idéia de morte causa desconforto a muitas pessoas,
provavelmente por não termos controle algum sobre ela. Não
sabemos quando, como ocorrerá e o que existe após a morte.
Portanto, quando os filhos questionam seus pais, ou quando
acontece uma morte na família, algumas perguntas costumam vir
à tona. Como tratar desse assunto? Devemos distanciar as
crianças da morte para não causar sofrimento a elas? O que
devemos falar que existe após a morte?
Geralmente
os adultos desejam poupar as crianças do sofrimento, e assim,
acabam criando uma dificuldade em lidar com a perda. A
tarefa de falar sobre a morte com as crianças, é facilitada
quando o assunto é tratado com o máximo de naturalidade.
Explicar que a morte faz parte da vida, é também uma forma
de mostrar que esta é importante e deve ser valorizada.
Poupar
as crianças do sofrimento causado pela morte pode gerar
dificuldade de lidar com perdas, o que significa problemas e
sofrimento ao longo de sua vida. Não devemos subjugar as
crianças como se não estivessem compreendendo o que esta
acontecendo. Usar termos para explicar a morte como
“ele está dormindo” pode gerar pensamentos confusos na
criança, acreditando que a pessoa acordará.
Outro
aspecto importante, é que cada criança frente à morte poderá
agir de forma diferente, por exemplo: chorar, rir, ficar apática
ou simplesmente negar, como se não existisse morte alguma. São
mecanismos de defesa contra o sofrimento que o desenlace está
causando.
A
psicoterapia para a criança auxiliará em todo o processo psíquico
de elaboração do luto. Como forma preventiva, haverá
explicações e um estudo do tema, que poderá ser realizado
de forma ludoterápica, conversas ou outras atividades no caso
de adolescentes. Os pais terão explicações e orientação
de como explorar o tema da morte com os filhos, inclusive no
próprio cotidiano, o que facilitará o entendimento da criança.
Viviane
Scarpelo
Psicóloga