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Psicóloga: Viviane Scarpelo

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Revista Todo Saber

 

DROGAS
E
TERAPIA FAMILIAR

Dra. Viviane Scarpelo
Psicóloga Clínica - Hipnoterapeuta e Orientadora Vocacional
Especialista em Psicoterapia de Casal e Família
www.delphospsicologia.com.br  -  (11) 3266-8676

 
 

"Um dia de tristeza e angústia, muitas vezes leva ao desespero e a vontade de buscar uma saída para o sofrimento. Essa pode ser uma das formas do encontro com as substâncias químicas que alteram o estado psicológico, diminuindo as sensações ruins e amplificando o prazer. Outra forma de cair nas garras de uma dependência, que culmina em alguns casos na própria morte, é o simples experimentar."

 

 

O abuso do álcool e das drogas é uma realidade sombria em nossa cultura, e geralmente os valores, crenças, emoções e comportamentos do dependente afetam a vida dos membros familiares. Por conta disso, o meio familiar é o cenário principal do enfoque psicoterapêutico. A partir da década de 1950 a família passou a constituir uma área de interesse da psicologia, contribuindo para a psicoterapia familiar como abordagem para tratamento de problemas. Entender a comunicação e as relações familiares pode ser uma maneira bastante eficaz de identificar o motivo da busca pela droga, assim como, as possíveis soluções.

O impacto que a família sofre quando um dos membros é usuário de drogas pode ser parecida com as reações da própria pessoa que as utiliza. Num primeiro momento pode acontecer o mecanismo de negação, ou seja, as pessoas deixam de falar o que realmente vêem e sentem. Depois, a família possivelmente passa a se preocupar com as questões sociais e problemas vinculados ao trabalho, tentando controlar o uso do álcool ou das drogas. Neste momento, pode instaurar-se um segredo familiar, não se tocando no assunto, como se a família não estivesse passando por um momento difícil. No terceiro estágio, pode acontecer a desorganização familiar, onde os membros da família assumem papeis e funções inversos, como uma filha que cuida dos irmãos menores, devido ao alcoolismo da mãe, ou pelo uso de drogas. Já no quarto estágio, o cansaço emocional pode gerar uma desintegração familiar, ocorrendo o afastamento das pessoas. Elas continuam vivendo sob o mesmo teto, mas como se fossem ilhas, isoladas umas das outras. Por mais que as situações sejam parecidas, vale ressaltar que é importante estudar cada família nos seus aspectos particulares para efetivamente identificar como esta família age e reage sobre as conseqüências da dependência química.

O usuário de drogas e álcool tem geralmente sentimentos negativos sobre si mesmo. Não assume que está bebendo ou fazendo uso de drogas em demasia. Já os familiares podem ter os sentimentos de raiva, ressentimento, descrédito das promessas de parar, dor, impotência, medo, vergonha, sentimento de falência, desintegração, solidão diante do resto da sociedade, culpa, vergonha, etc. Pensando na família como um sistema, podemos entender que o dependente químico nada mais é do que uma árvore que encobre uma floresta, ou seja, ele apenas vem apresentar um problema que era imperceptível ou inconsciente, mas que já existia no contexto familiar. Olhando por este ângulo, percebe-se que o uso de drogas e álcool é apenas um sintoma, que vem denunciar algo que não está bem. Superproteção, competições, sentimento de desvalorização, entre outros, podem colaborar para o desencadear do sintoma, e assim, fica clara a importância do acompanhamento familiar em todo processo de tratamento e recuperação. O sintoma é uma denúncia de que a estrutura familiar está comprometida, e o usuário fica a mercê da projeção da dinâmica do sistema familiar como um todo. Nele é depositado todas as atenções, cobranças e expectativas, sendo culpado pelos problemas familiares.

O simples fato de deixar de ser dependente pode acarretar uma série de medos e conflitos. A pessoa que até então era tratada como o "doente", a que precisa, passará a ser a competente, a que consegue, a que realiza. Isto significa mudança, e geralmente mudar é um incomodo, para quem muda e para quem observa a mudança, e precisa se acostumar a uma nova forma de relação e convivência. As modificações possivelmente se dão quando a própria pessoa, e a família, ficam conscientes do que está por trás do sintoma (beber/usar drogas) permitindo assim uma reestruturação em toda dinâmica familiar. Na psicoterapia, a família receberá informações para corrigir as percepções errôneas, e romper a negação. Poderá haver encorajamento de discussões abertas sobre problemas com outros membros da família, assim como, a apresentação de novas formas de lidar com as diferentes situações do dia-a-dia, e com os sentimentos.

As pessoas sairão do comodismo e da desesperança, o que por vezes acontece em famílias que acreditam que o fato faz parte do "destino". Quando a substância química é usada por um adolescente, geralmente os pais acabam se desentendendo por não saberem o que fazer, criando uma desordem ainda maior. Percebe-se a importância da psicoterapia nos momentos de caos, e a importância da orientação e busca pelo que está encoberto, gerador do sintoma. Refletir sobre os casos de dependentes químicos na família pode ser uma forma de prevenir problemas futuros, como a busca por parceiros de álcool, viciados em drogas ou até mesmo, impedir a própria busca pelos mesmos vícios.

A psicoterapia familiar visa fazer com que as pessoas se sintam mais felizes e menos ansiosas, restabelecendo sua saúde mental; criar um ambiente agradável onde se possa falar sobre os sentimentos; não falar somente de drogas, mantendo um diálogo aberto sobre outros aspetos da vida; trabalhar as possibilidades de fazer diferente e gerar entendimento de que o sintoma da utilização de drogas é apenas a denúncia da falsa harmonia familiar, e que portanto, é importante o reconhecimento do papel de cada um para um desfecho terapêutico positivo.

 Psicóloga: Viviane Scarpelo

 

 

 

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