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Psicóloga: Viviane Scarpelo

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 Histórias que Encantam Crianças

Por Viviane Scarpelo

A auto-estima precisa ser sempre polida para que a pessoa sinta-se capaz e consiga pequenas e grandes realizações em sua vida. A virtude é algo que aprendemos e que quando praticada nos dá uma sensação de prazer em viver. O amor, a amizade, a tolerância podem gerar paz interior. A raiva e a inveja são sentimentos humanos, que podem ser entendidos e trabalhados psicologicamente. Estes são temas abordados nesta edição, que traz a história de duas formiguinhas, uma feliz com práticas do bem, e a outra que passa por momentos de tristeza por sentir inveja e frustração no contato com as outras formigas. me

 Vamos conhecer a história da Formiguinha Zóz:

 

A Formiguinha Zóz

           Era uma vez uma vila onde moravam muitas formiguinhas. Uma delas era Zóz, muito especial, inteligente e rápida. Sua mãe lhe deu uma correntinha com um pingente brilhante, e ao entrega-lo disse que era o símbolo do amor que ela tinha por ele. Toda vez que Zóz passava por algum tipo de problema, segurava por alguns instantes no pingente brilhante e sentia a presença de sua mãe, algo que a acalmava e o encorajava.

Na vila todos gostavam de Zóz devido a bondade e a felicidade que transmitia. Zóz tinha um primo chamado Nóc, era muito tímido e quando alguém tentava conversar com ele, não dava atenção. Todos o achavam estranho por não querer se comunicar e compartilhar suas idéias.

Como Zóz era bem quisto, Nóc sentia muita inveja e raiva, pois nunca ninguém havia dito a ele que pelo menos o achava agradável. Nóc sentia-se sozinho e triste, andava sempre com a cabeça baixa e não conseguia olhar nos olhos de alguém e dizer um belo bom dia, coisa que Zóz fazia todas as manhãs, quando passeava pelas ruas da vila.

A vila tinha trezentos e setenta e nove anos, muito bonita, cheia de flores e árvores onde as formiguinhas buscavam sua alimentação. Todas trabalhavam muito, eram esforçadas e buscavam estar sempre unidas.

Zóz participava de todas as aulas que eram ministradas pelo professor Bonji, um senhor que ensinava aos jovens como serem úteis aos outros. Nóc também participava das aulas, mas não acreditava que um dia poderia ajudar alguém.

Numa tarde de sol brilhante, as formiguinhas da vila estavam cansadas do dia de trabalho, porém felizes, pois agora poderiam se reunir na praça e perto de uma fogueira contarem histórias. Também poderiam se divertirem com as piadas do Formigão, um velho engraçado que sempre se dispusera a animar a vila.

Nem imaginavam que aquela tarde poderia ser fatal. Lá estavam elas, trinta e cinco formiguinhas amigas reunidas, dançando e cantando felizes, próximo à fogueira. Nóc não saia de casa quando havia festa na praça. Porém, ele não sabia que estavam festejando. Saiu e quando chegou ao centro da praça, levou um susto, pois todos estavam lá. Disse bem baixinho a si mesmo: “Não acredito! Uma festa na praça e eu estou aqui. Preciso ir embora.”

Antes de partir ficou curioso e resolveu olhar o que estavam fazendo. Viu sorrisos, brincadeiras e dança. Nesse momento teve raiva de todos por não estar participando e por se sentir excluído. Pensou que a alegria delas deveria acabar rapidinho. Dizia a si mesmo, “já que não posso ser feliz, elas também não podem”. Enquanto todos dançavam, disfarçadamente se aproximou da fogueira e pegou um pouco de brasa sem ser percebido.

Nóc pensou que colocando fogo na floresta chamaria a atenção das formigas, e que assim elas parariam de dançar e a festa acabaria. Nóc não contava com o vento que fez o fogo se alastrar pela floresta, indo em direção às casas. Em instantes as labaredas começaram a subir. Nóc abaixou a cabeça despedindo-se de boa parte da natureza de que tanto as formiguinhas precisavam para viver.

Na vila as formiguinhas dançavam e, de repente, Zóz percebeu uma fumaça forte. Olhou e gritou:

- Fogo, fogo na floresta!

Todas as formiguinhas começaram a gritar. Zóz correu para ver o que estava acontecendo de perto. O fogo já tomava conta de boa parte da mata e se alastrava em direção a vila, coisa que Nóc não havia previsto que aconteceria.

Zóz pediu para que as formigas lhe ajudassem a pegar baldes de água para apagar o fogo. Enquanto isso, Nóc começou a ficar apavorado, pois o fogo estava indo em direção à sua casa. Por segundos pensou em sua vida: concluiu que não tinha amigos, que ninguém gostava dele e que a única coisa que ainda lhe restava era a sua casinha. Sentou-se próximo a mesa de jantar, abaixou a cabeça como de costume e ficou esperando o fogo chegar. Dentro de si já havia tomado a decisão de ficar na casa, mesmo que ela se incendiasse. Pouco tempo depois, o fogo já cercava a casa de Nóc.

A formiguinha mais rápida da vila, Zóz, não pensou duas vezes, pulou por sobre fogo e foi retira-lo da casa demonstrando muita coragem e determinação. Nóc não queria sair de lá de jeito algum. Zóz tentando convence-lo, disse que o ajudaria na construção de uma nova casa. O local ficou cada vez mais quente e o fogo já estava entrando no quarto, quando Zóz pegou Nóc a força, colocando-o nos ombros e saindo numa rapidez incrível. Nóc ao visualizar o lado de fora, se espantou com a quantidade de formigas espalhadas ao redor da casa tentando apagar o fogo com alguns baldes de água.

Em meio a todo aquele fogo. Zóz passou a mão no pescoço e não percebeu sua corrente, procurou novamente, mas a correntinha havia se perdido, provavelmente no momento em que foi salvar Nóc. Assim, desesperado, pulou novamente por sobre o fogo que já havia avançado mais um pouco, na tentativa de encontra-la. A fumaça cobria quase todas as partes da casa, Zóz não agüentou, desmaiando no centro da sala.

Nóc, do lado de fora, se pôs a chorar, pois não acreditava que havia criado tão grande problema. A mãe de Zóz chegou e disse: - Não pode ser, Zóz esta lá dentro. Nóc lembrou-se das aulas do professor Bonji e pensou que era a sua chance de ajudar alguém. Levantou a cabeça, enxugou as lágrimas que já salgavam sua boca e disse pela primeira vez em voz alta: - Vou ajudar. Bravamente Nóc correu o mais rápido que pôde, de forma que conseguisse entrar pela porta de trás da casa. Com muito esforço, rastejando pelo chão como uma forma de se livrar da fumaça, encontrou Zóz e o puxou para fora. Voltou ainda abaixado e no meio da fumaça, encontrou a correntinha que brilhava.

Saiu da casa e foi ao encontro de Zóz que já estava sendo atendido por formiguinhas médicas. Todos deram um viva à bravura e coragem de Nóc. Naquele momento sentiu-se extremamente feliz e chorou de alegria.

Além do agradecimento que recebeu das formigas, percebeu que se elas estavam do lado de fora de sua casa, tentando apagar o fogo, é porque de alguma forma, ele era importante. Sentiu-se amado e querido percebendo os amigos que tinha na vila. Passado todo o problema referente àquela noite, como havia prometido, Zóz o ajudou na construção de uma nova casa, que ele dizia ter ficado linda, bem melhor que a antiga. Nóc, além de ganhar um novo lar, ganhou uma nova vida, pois passou a cumprimentar todos. Conversava, contava “causos” e procurava sempre estar disponível para ajudar e servir, mesmo que fosse apenas abrindo uma porta ou segurando uma sacola para uma formiga mais velha.

Nóc nunca mais havia ficado sozinho e triste, dizia que se sentia útil e feliz naquele lugar. Percebeu que oferecendo amor também receberia. A inveja e a raiva se esvaíram mediante tantos sentimentos bons que agora estavam em seu coração. Nóc e Zóz se tornaram grandes amigos e viveram na vila felizes para sempre. 

            Fim!

                                                                                 

Sugestão de Atividades:

Antigamente as pessoas sentavam-se em circulo para contarem histórias e com os mais diversos títulos, divertiam-se. O contador da história é quem dava emoção e vida aos personagens. Na escola, o professor pode utilizar-se desta forma, interpretando a história, garantindo a atenção dos alunos que podem ficar sentados em circulo. No término, poderá sugerir um teatrinho improvisado, com os personagens “Formiguinha Zóz e a sua prima Nóc”. Uma encenação rápida, no meio do circulo, com a parte da história em que Nóc vê a possibilidade de ajudar alguém e salva a Zóz.  Os demais alunos serão as formiguinhas que ajudarão apagar o fogo da casa da Nóc. Depois da encenação de todos, o professor poderá fazer perguntas ao grupo como: o que vocês acham que a formiguinha sentiu quando ajudou sua prima? O que será que Nóc sentiu ao ver que todos da vila estavam ajudando apagar o fogo de sua casa?  Alguém aqui já sentiu que não era amado e depois percebeu o contrário? Quem já sentiu inveja, por que e como resolveu? O que vocês entendem sobre raiva? Como você se sente quando ajuda um amigo? Outras perguntas que o educador considere adequadas ao tema podem ser colocadas.

Outra forma para trabalhar estas questões com as crianças é solicitar que as mesmas levem para a escola jornais, revistas e gibis e que façam colagens do que SENTIRAM ao ouvir a história, eliciando nas crianças a percepção de si mesmas e auto-conhecimento. Depois, se quiserem poderão comentar sobre seus trabalhos.

Dica:

O professor não precisa preocupar-se com discursos para os alunos. Poderá usar poucas palavras, dando oportunidade para as crianças se expressarem, permitindo que explorem seus próprios pensamentos e sentimentos de forma clara e construtiva.

 

Assuntos abordados na coleção:  

1. Tina e Tininha - tema principal: medo e coragem.

2. Gustavo – O Grande – tema principal: vergonha.

3. O Ratinho Cosme – tema principal: prática da felicidade.

4. Menino Thobias – tema principal: mentira.

5. A Persistência de José – tema principal: persistência.

6. A Formiguinha Zóz – tema principal: percepção de mundo e mudança interior.

7. Bia – E o Brinde à Saúde – tema principal: cigarro – vícios.

8. A Casa de Dik Dik – tema principal: diferentes brincadeiras para  o desenvolvimento infantil.

9. A Vaca e a Aranha – tema principal: agrotóxicos e agricultura natural.

10. João e Soneca - tema principal: elaboração do luto.

 

 

AUTORA: Viviane Scarpelo Comin. CRP: 06/75424.
Psicóloga clínica, hipnoterapeuta e orientadora vocacional. Atendimento à crianças, adolescentes, casais e família.
CONTATO:
Site:www.delphospsicologia.com.br vivianecomin@portaldelphos.com.br

 

 Texto publicado na Revista Direcional Escolas em Agosto de 2006 - Edição 19.

 

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