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Histórias
que Encantam Crianças
Por Viviane Scarpelo
Muitas
crianças na escola, em casa ou em qualquer outro lugar, deixam de
aprender por sentirem-se envergonhadas. Não interagem por medo de
errar. Esse é o tema abordado nesta nova edição, que num enfoque
ludoterápico e prazeroso, visa ampliar os conhecimentos da criança
sobre seu próprio sentimento. A história é sobre um garoto que na
escola sente vergonha em perguntar o que não sabe. Seus materiais:
lápis, borracha, régua e caderno ganham vida, explicando a
possibilidade de pedir ajuda como algo normal para qualquer
pessoa.
Vamos conhecer a história:
Gustavo – O Grande
Era uma vez um menino muito
inteligente e alegre, cujo nome era Gustavo. Adorava ir à escola
e, depois das aulas, jogar um pouco de bola com seus amigos.
Por sempre tirar boas notas, foi
apelidado de Gustavo – “o grande”. Gostava de todas as matérias,
Português, Matemática, Inglês, Ciências, Estudos Sociais e Artes.
A mãe de Gustavo nunca havia se preocupado com a aprendizagem do
filho, pois ele sempre trazia um boletim impecável. Gustavo dizia
que uma explicação da professora já era o bastante para ele
entender tudo. Até que um dia...
- Crianças, hoje explicarei para vocês
uma nova conta. Disse a professora Lurdinha, iniciando a
explicação de matemática.
Todos estavam atentos, inclusive
Gustavo. A professora ensinou o problema. Pela primeira vez em sua
vida, Gustavo não entendeu, mas sentiu vergonha de perguntar.
Bateu o sinal e Gustavo foi para o
pátio jogar bola. Seus amigos estranharam, pois ele era um
excelente jogador, e naquele dia estava jogando muito mal. Não era
pra menos, só pensava no problema de matemática. Resolveu ir para
casa antes de terminar o jogo, pedindo desculpas aos amigos.
Na rua andava bem devagar pensando no
que faria.
- E se eu pedir ajuda a alguém? Não,
isso seria uma vergonha! Sussurrava baixinho, conversando consigo
mesmo.
Olhava para os carros na rua, tentava
se distrair com os diferentes modelos e cores, mas nada... quando
via as placas dos automóveis, acabava por se lembrar da bendita da
matemática. Percebeu uma borboleta amarela, linda e pequenina que
se aproximou do jardim da casa de dona Ângela. Uma senhora muito
simpática que sempre lhe ofertava um pedaço dos bolos deliciosos
que costumava fazer.
A borboleta amarela beijou uma flor e
se foi, e isso fez Gustavo pensar no que havia acontecido com ele
na escola. A inteligência que estava em sua mente, bateu asas e
voou.
Ao chegar em casa, entrou rapidamente
em seu quarto. Passou a tarde toda tentando dormir na esperança de
que quando acordasse, estaria melhor para resolver o problema de
matemática. Nada disso aconteceu, nem dormiu e nem conseguiu uma
resposta para apresentar na escola.
De repente, Gustavo ouviu um barulho.
Olhou e não acreditou no que estava vendo: todos os materiais,
caderno, lápis, borracha, mochila, livros, estavam vindo em sua
direção.
- Meu Deus! O que é isso? Disse ele.
O caderno mais do que depressa já foi
falando:
- Meu pequeno rapaz, você não esta
conseguindo aprender um problema de matemática?
- Como você sabe?
- Ora, ora, meu rapaz, eu sou o seu
caderno, sei de tudo.
- Não consegui aprender e tenho
vergonha! Disse Gustavo.
A Dona Régua deu um passo a frente e
disse:
- Vergonha? Existem coisas que
aprendemos com mais facilidade, e outras para as quais precisamos
de mais tempo e treino para realizar.
- Mas eu sempre resolvi na primeira,
não sou mais inteligente.
A borracha falou:
- Tudo na vida depende de treino e
disciplina. Existem alguns momentos em que aprendemos rapidamente,
e outros, em que, por diferentes motivos, como até mesmo cansaço,
sentimos mais dificuldade. Gustavo, você acha que nasceu sabendo
andar, por exemplo? Perguntou a borracha.
- Não.
- Então, nas primeiras tentativas você
caiu, se machucou, levantou, tentou de novo e recebeu ajuda de
quem já sabia andar, certo?
- Sim. Disse Gustavo.
- Que tal você conversar com sua mãe e
pedir a ela uma ajudinha?
Gustavo concordou com todos os
materiais que fizeram festa no quarto, enquanto ele foi falar com
sua mãe.
A mãe de Gustavo entendeu a
dificuldade do filho e disse:
- Primeiro, vamos nos alimentar, dar
forças ao nosso organismo e depois estudamos juntos, ok?
- Sim, mãe.
Após o lanche, mãe e filho passaremos
boa parte da noite estudando a tal da matemática. No dia seguinte,
além de levar o problema resolvido, Gustavo comentou com os amigos
o que lhe havia acontecido, e como estava feliz por sua nova
conquista, sua nova aprendizagem. Na aula, passou a perguntar o
que não compreendia, e a cada vez que levantava a mão, dava uma
piscadela para seu amigo caderno, que sorria orgulhoso.
Fim!
Sugestão de Atividades:
O professor(a) poderá solicitar após a
leitura, que as crianças façam um desenho referente a história, e
em seguida, uma breve apresentação do que desenhou. Provavelmente
os mais extrovertidos e desinibidos serão os primeiros a
apresentarem seus trabalhos.
O professor(a) poderá ficar atento aos
mais quietos, que demonstrem inibição (mas não apontar ou
destacá-lo na sala, pois isso talvez o impeça de conseguir
desinibir-se). Poderá de forma descontraída perguntar: “E você?
Vamos lá! Deixe-me ver...”. (Falar o nome da criança e elogiar o
seu trabalho). É importante que a criança se sinta acolhida e
segura, num ambiente tranqüilo. E assim, incentivá-las a mostrarem
seus desenhos.
No caso de todos apresentarem seus
trabalhos de forma extrovertida e desinibida. Ótimo! O exercício
servirá como um reforço, mostrando que isso é positivo.
Outra maneira para trabalhar esta
história, é solicitar após a leitura, que cada criança escreva em
seu caderno, em que momento de sua vida sentiu ou sente vergonha,
assim como o personagem Gustavo. O professor(a) poderá ler e
discutir individualmente se for necessário. E para todos, em voz
alta, poderá sugerir que a partir daquele momento que estão
escrevendo ou desenhando, se sentirão mais desinibidas. Com esta
afirmação, poderá despertar nas crianças a possibilidade de agir
diferente, criando posteriormente novas experiências.
Dica:
O primeiro passo para o professor é
ler. Se fizer um estudo da história, antes de apresentar na sala
de aula, poderá sentir-se mais a vontade com o conteúdo, e até
mesmo acrescentar o que considera importante para um melhor
desenvolvimento.
Assuntos abordados
na coleção:
1.
Tina e Tininha – tema principal: medo e coragem.
2.
Gustavo – O Grande – tema principal: vergonha.
3.
O Ratinho Cosme – tema principal: prática da felicidade.
4.
Menino Thobias – tema principal: mentira.
5.
A Persistência de José – tema principal: persistência.
6.
A Formiguinha Zóz – tema principal: percepção de mundo e
mudança interior.
7.
Bia – E o Brinde à Saúde – tema principal: cigarro – vícios.
8.
A Casa de Dik Dik – tema principal: diferentes brincadeiras para o desenvolvimento infantil.
9.
A Vaca e a Aranha – tema principal: agrotóxicos e agricultura
natural.
10.
João e Soneca - tema principal: elaboração do luto.
De
forma divertida e ludoterápica, as crianças estarão aprendendo
sobre sentimentos e valores humanos. Estamos a disposição para
possíveis esclarecimentos, e abertos a críticas e sugestões
para melhorar a cada edição.
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AUTORA:
Viviane Scarpelo Comin.
CRP: 06/75424. Psicóloga
clínica, hipnoterapeuta e orientadora vocacional.
Atendimento à crianças, adolescentes, casais e família. CONTATO:Site:www.delphospsicologia.com.br vivianecomin@portaldelphos.com.br
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Texto
publicado na Revista Direcional Escolas em abril de
2006 - Edição 15.
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