
Por
Karla Machado
Entrevista: Viviane
Scarpelo
Uns se unem pelo gosto musical.
Outros, pela paixão por um esporte ou pelas afinidades culturais. Uma vez
juntos, adotam um dialeto próprio, incorporam roupas, acessórios e passam a ter
estilos de vida semelhantes. Emos, punks, góticos, patricinhas....São diversas
tribos que compõem o espaço urbano e se destacam em meio à heterogeneidade das
grandes metrópoles. Quem faz parte de uma delas, jamais será um rosto
desconhecido na multidão.
Sempre em bandos, eles
ditam as próprias regras, discutem idéias e experimentam prazeres
a fim de encontrar uma identidade. “O grupo confere identidade ao
jovem, faz com que ele se sinta integrado, aceito e compreendido”,
afirma a psicóloga e psicoterapeuta, Dra. Olga Inês Tessari. Para
a psicóloga e hipnoterapeuta, Dra. Viviane Scarpelo Comin, o fato
de fazer parte de um grupo auxilia o jovem a entender-se melhor.
“Perceber que não está só e que alguns questionamentos são
parecidos é importante e ajuda no autoconhecimento. As trocas que
acontecem nos grupos podem propiciar várias formas de lidar com os
sentimentos e emoções”, assegura.
É
claro que, dentro de uma tribo, há pessoas que realmente se
identificam com a ideologia e filosofia do grupo e também aquelas
que são motivadas pelo desejo de serem notadas. Muitas, inclusive,
aderem a um movimento apenas para contrariar os pais. “Se o jovem
é de uma família que abomina o rock, por exemplo, é bem capaz que
ele passe um período sendo roqueiro para contestar os pais”,
ilustra Dra. Olga. Nessa fase, é natural que o jovem vivencie
diversas experiência até, de fato, encontrar o caminho que deseja
trilhar. “Muitas vezes ele precisa fazer parte de grupos
diferentes para questionar seus conceitos, aprender novos valores
e concluir se estes valores são importantes ou não para ele”,
coloca.
A
adolescência, na opinião da terapeuta, reflete o relacionamento
que o jovem teve com os pais durante a infância. Segundo ela, cabe
aos pais orientar e, ainda que seja difícil, respeitar o direito
de escolha do jovem. “O melhor a fazer é conversar sobre os prós e
os contras de participar de um determinado grupo e, mesmo não
concordando, respeitar a decisão do filho”, aconselha. Da mesma
maneira, a Dra. Viviane aponta o diálogo como a forma mais
saudável de orientar o adolescente. “Além da compreensão, acredito
que a informação pode ser uma grande aliada do jovem nos momentos
de suas escolhas”, argumenta.
Saiba mais sobre as tribos
Emos
Sentimentalistas ao extremo, curtem o emocore (vertente do punk
que mescla som pesado com letras românticas) e adoram trocar
elogios, abraços e carinhos em público. São totalmente contra
qualquer forma de violência ou preconceito e praticam a tolerância
sexual.
Visual: Cabelos lisos com enormes franjas usadas somente de um
lado, lápis no olho, unhas pintadas, roupas pretas com figuras
infantis (ursinhos, lacinhos, hello-kitties etc), broches em bonés
e mochilas.
Punks
Críticos e contestadores, identificam-se com o anarquismo e
sustentam valores como anti-machismo, anti-homofobia,
anti-nazismo, amor livre, anti-lideranças, liberdade individual,
autodidatismo e cosmopolismo.
Visual: Coturno, cabelos arrepiados (estilo moicano), jaquetas de
couro com rebite e muitos piercings pelo corpo.
Surfistas
Sol, praia e reggae. Basicamente, esta
é a vida da galera que curte ‘pegar uma onda’.
Visual: Bermuda de tactel, óculos escuros, camiseta regata,
cabelos compridos e com luzes.
Skatistas, dreads ou skaters
Podem ser encontrados em praças públicas, entretendo-se a executar
as mais mirabolantes acrobacias com seu acessório favorito: o
skate. Normalmente, apreciam desenhos e outras expressões
artísticas.
Visual: Roupas extremamente largas, cintos, tênis grande e boné.
Indies
Alternativos, curtem músicas que falam da complexidade dos
relacionamentos humanos, problemas de adaptação à sociedade,
timidez e do dia-a-dia urbano da juventude contemporânea.
Visual: Costeletas, franjas, tênis xadrez, paletós, blazers e
skinny jeans compõem o visual dos alternativos. Óculos de acetato,
mais conhecido como "aro grosso", também complementa o estilo.
Patricinhas e Mauricinhos
É a tribo da moçada que se preocupa excessivamente com a aparência
e gosta de ostentar bens materiais, viagens e influência. Estão
sempre antenados com a moda e, em geral, curtem ‘baladas’ de
techno.
Visual: Roupas de griffe, corpo esculpido pela academia, cabelo
impecável e, no caso das mulheres, rosto sempre maquiado e um bom
salto nos pés.
Grunges
Identificam-se com o movimento de música independente surgida no
final dos anos 1980, em Seatle, que tem como principais
representantes as bandas Nirvana e Pearl Jam. Os jovens daquela
época privilegiavam a estética "do feio, do pobre, do sujo", em
oposição ao glamour.
Visual: Totalmente despojados, usam bermudões abaixo dos joelhos,
camisas de flanela quadriculadas, tênis sujos, barbichas, calças
rasgadas.
Góticos
Apreciadores de coisas mórbidas, gostam de freqüentar cemitérios e
têm um interesse especial por músicas melancólicas, literatura,
artes plásticas e cinema.
Visual: Vestem-se de preto, têm o rosto pálido, usam
maquiagens
carregadas e correntes com crucifixos.
site:
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Texto
publicado na Revista Melhor pra Você em setembro de
2007 - Edição 50.