O que você vai ser quando crescer? No final da adolescência, esta pergunta se transforma num verdadeiro dilema. É chegado o momento de tomar a decisão que vai determinar seu futuro profissional. E embora existam mais de 100 opções de curso, o medo de errar e ser mal sucedido tiram o sono de milhares de jovens que estão às vésperas do vestibular.
Na dúvida, muitos optam por carreiras tradicionais, como medicina, engenharia e direito. Alguns porque realmente gostam e têm habilidades para exercer a profissão. Contudo, a ilusão de um bom retorno financeiro, a pressão exercida pelos pais e o fato de não ter discutido, com antecedência, esse importante passo, motivam muitos jovens a abandonarem seus sonhos e ingressarem em carreiras que não trarão realização profissional. Não é à toa que se verifica um alto índice de desistência nas universidades brasileiras. Um estudo realizado na USP, divulgado na Folha de S. Paulo, constatou que 44,5% dos estudantes se decepcionam com o curso escolhido. Quase metade, devido a problemas no momento da escolha.
Apesar de
ter somente 21 anos, a operadora de terminal das Casas Bahia,
Viviane Simon da Silva, tem experiência no assunto. Na época do
vestibular, a primeira opção da jovem foi o jornalismo. Dede
criança ela sonhava em “tomar o lugar da Fátima Bernardes”.
Devido a problemas financeiros, a garota parou de estudar e,
passados dois anos, Viviane se matriculou em economia. “Optei
por economia no lugar de jornalismo, porque acreditei que teria
mais campo para trabalhar. Confesso que dessa vez não pensei em
minhas vontades e sim nas opções que o mercado me oferecia”,
conta. Mas três meses foram suficientes para a menina comprovar
que, definitivamente, economia não é a “sua praia”. Hoje, a
garota pretende ingressar no curso de psicologia que, segundo
ela, é uma área que sempre a interessou. “Talvez, se não tivesse
tanto medo de encarar algo que eu realmente desejava e deixasse
de pensar no que a sociedade cobra de mim, poderia ser uma
pessoa mais realizada”, revela.
Portanto, para não investir seu tempo e dinheiro em um curso que
não supra suas expectativas e, por fim, desistir no meio de
caminho, há certas atitudes que podem ajudar. Primeiro, explore
ao máximo as informações a respeito da carreira que deseja
ingressar. Assista a palestras, analise o currículo do curso e
converse com pessoas que já estão trabalhando na área. Mas, se
depois dessa maratona você ainda estiver com dúvidas, a
orientação vocacional é uma boa saída.
Existem pessoas que decidem por veterinária baseadas apenas no amor que sentem pelos animais, entretanto, jamais teriam coragem de realizar um parto de ovelhas, ou então, excluem psicologia por serem tímidas e não gostarem de falar em público. No entanto, a escolha da profissão exige uma análise mais profunda. “É interessante perceber que alguns jovens chegam ao consultório para a orientação e já tem predeterminado a profissão que querem seguir. Mas quando começamos a pensar juntos e levantar algumas questões, geralmente percebemos que a escolha estava baseada em um sintoma”, conta a psicóloga, hipnoterapeuta e orientadora vocacional, Viviane Scarpelo.
Parece bobeira e até uma questão de dúvida existencial, mas a orientação vocacional pode auxiliar o jovem na busca pelo autoconhecimento e, assim, apontar o caminho para uma escolha sensata. “Conhecendo a si próprio, seus gostos, interesses, aptidões, o jovem terá condições de escolher uma profissão que mais se adapte ao seu estilo de vida. Escolher a profissão é também escolher uma parte de sua identidade, pois a partir daí, será conhecido e reconhecido como o profissional da área escolhida”, explica a orientadora.
Somente quando a profissão proporciona prazer, a pessoa tem motivação para estudar, se especializar e construir uma carreira de sucesso. Pense nisso!
