Tema:
Síndrome do Ninho Vazio
Transcrição da
entrevista concedida ao programa Amigas Invisíveis com
apresentação de Ana Flores, Dedina e Gian, exibido no
dia 06 de julho de 2006 às 14:00hs.
Rádio
Globo AM 1100 Kz – São Paulo - Rio de Janeiro
Entrevistada:
Viviane Scarpelo
Ana Flores:
Boa tarde Dra. Viviane?
Viviane Scarpelo: Boa tarde Ana, boa tarde Dedina, boa tarde Gian, é um
prazer estar com vocês!
Gian: O prazer
é nosso!
AF: Dra.
Viviane a senhora é casada?
VS.: Sim.
AF: Tem filhos?
VS: Não tenho
filhos, mas cuidei de irmãos.
AF: Ah! Com
irmãos a gente também tem síndrome do ninho vazio?
VS: Com
certeza, também sentimos falta!
AF: Dá bagunça
em casa!
VS: Com
certeza!
G: Dra.
Viviane, o que é mesmo a Síndrome do Ninho Vazio?
VS: Síndrome
do ninho vazio é uma dificuldade de lidar
com a falta dos filhos, quando estes se tornam independentes. É o
momento em que a falta começa a doer. A mãe que dava carinho,
atenção, que cuidava das roupas, do remédio, da comida, fica
sozinha. E não tem mais aquela pessoa que vai cuidar da demanda
afetiva dela.
G: E os
principais sintomas são melancolia e depressão?
VS: Existe uma
sensação de perda, tristeza exagerada, sensação de inutilidade,
esvaziamento. Há um desanimo, falta de objetivo. E agora o que vou
fazer? Ela só cuidava dos filhos, tinha essa função, e agora? Ela
precisa criar outras atividades.
AF: Compreendi!
E Dra. Viviane, é verdade que a síndrome do ninho vazio costuma
acontecer quando o filho caçula sai de casa?
VS: Sim,
acontece geralmente com o último filho. Por exemplo, uma mãe que
tenha três filhos, quando o primeiro sai não tem problemas, quando
o segundo filho sai, ainda tem alguém cobrindo as suas
necessidades, ela ainda sente que alguém precisa dela e que
continua suas tarefas enquanto mãe. Quando o terceiro filho sai,
aí sim, ela se depara com o vazio.
AF: Agora Dra.
Viviane, a senhora esta falando do filho caçula. Agora tem uma
forma desses filhos utilizarem esta síndrome do ninho vazio para
ajudarem essas mães, o que eles podem fazer?
VS: O que pode
haver é uma comunicação nessa família. Sentar e conversar, ser
companheiro da mãe nesse momento em que ela está com esta
dificuldade. E ajudá-la a desenvolver outras atividades, como passeios,
viagens, estar mais com o marido, resgatar amizades, ou seja, atividades
fora de casa. Então, acho que eles podem ser mais acolhedores.
G: Estamos
conversando com a Sra. Viviane Scarpelo Comin, psicóloga e
terapeuta familiar. Dra. Viviane, a mulher sente mais a síndrome
do ninho vazio do que o homem?
VS: Geralmente
as mulheres sentem mais porque elas é que ficam em casa, cuidam
mais dos filhos, mas os pais também podem sentir. Hoje em dia
temos pais que ficam em casa e as mulheres é que vão trabalhar.
Então, o pai é quem cuida dessa criança, cria um laço afetivo
maior. Por iso a sensação de perda pode acontecer com ele também.
AF: Agora Dra.
Viviane eu trabalho, meu marido trabalha, mas eu tenho pânico de
ficar sem meus filhos, é tão alegre a casa com as crianças. A
senhora falou das mulheres que ficam em casa, mas as mulheres que
trabalham também sentem.
VS: Sim, quem
fica sente a ausência do outro, mas quem sai também sente que
perdeu algo. É difícil se acostumar em não estar mais naquele
ambiente cheio de proteção, aconchegante. Por isso é importante a
comunicação entre os membros familiares, para entenderem que a
separação em alguns momentos é inevitável, e não significa falta
de
amor, é apenas a ausência física.
G: Muitas vezes
o pai sente falta da filha e a mãe do filho, isso se confunde com
a síndrome do ninho vazio?
VS: Acho que
vai depender sempre da dinâmica dessa família. Geralmente os pais
zelam mais pela filha mulher porque julgam que ela precisa ser
mais protegida. É preciso ver no contexto geral o que esta
acontecendo com essa família.
AF: Agora Dra.
Viviane e quando é uma família com cinco irmãos, o caçula, o do
meio, e sai o mais velho, essas crianças podem sofrer também, de
repente entrar numa depressão, alguma coisa assim, com a saída desse
irmão mais velho?
VS: Pode, é a
falta do outro, então precisa ser acolhido, precisa conversar
sobre isso. É normal sentir falta. Isso é natural na ausência
física, a pessoa não esta mais, mas tem o local dela ali, as
coisas dela estão em casa e trazem lembranças. Geralmente o filho
vai embora, mas a cama dele continua ali, e quando você entra
no quarto e ele não está mais, é claro, a pessoa sente falta. Mas
acho que essa falta não pode ser exagerada. Se for exagerada vai
gerar esses sintomas de tristeza, de não ter nada que supra essa
falta. Essa sensação exagerada de esvaziamento, de perda.
G: E no caso da
síndrome além do apoio dos filhos, de promover novas atividades
para os pais e visitá-los regularmente, é possível recorrer a
remédios, a tratamento psicológico?
VS: O
tratamento com remédio é para casos extremos. Quando chegou a
somatizar, virou uma doença, aí sim, se recorre ao médico. Caso
contrário, uma orientação psicológica já é o suficiente para estar
normalizando a situação.
G: Ok, Dra.
Viviane.
AF: Muito
obrigada por sua participação em nome de toda equipe aqui das
Amigas Invisíveis. Um abraço!
G: Um abraço
Dra. Viviane.
VS: Obrigada!
Viviane
Scarpelo
Psicóloga Clínica