|
Histórias
que Encantam Crianças
Por Viviane Scarpelo
Na vida precisamos de disciplina, coragem e, entre outros, de
persistência. Quantas vezes nos deparamos com algo que num
primeiro momento parece ser difícil e que depois de um certo tempo
de treino e tentativas conseguimos realizar? Assim, colocamos em
prática a persistência. Talvez buscando em nossa memória,
lembramos como foi difícil aprender a ler e escrever, assim como
outras tarefas, e o quanto tivemos que ser persistentes! Como o
vocabulário das crianças está em pleno desenvolvimento, apresentar
a palavra persistência, será apenas dar nome ao que muitas já
experienciaram alguma vez na vida. Persistir, tentar novamente,
este é o tema desta edição, que conta a história de um homem
solitário que utilizou a persistência para realizar seu grande
sonho.
Senhores professores, bem vindos à história:
A Persistência de José
Era uma vez uma
ilha chamada Nacomê. Ela ficava bem no meio do oceano e era muito
bonita. O sol a iluminava todas as manhas, havia muitos pés de
coco que davam frutas deliciosas. O pôr do sol era a hora mais
emocionante do dia, dizia o único habitante da ilha, chamado José.
Ele se sentia
muito sozinho, e o sol era seu único e melhor amigo. Todos os dias
quando o sol estava se pondo, José fazia questão de se despedir.
Nessa hora, assumia o compromisso de estar o aguardando no dia
seguinte. José não sabia da existência de pessoas em outros
lugares do planeta.
- Está
chegando a hora do por do sol, vou parar meus afazeres para poder
visualizar essa belezura! Dizia José todo sorridente.
Em
um dos dias em que estava se deslumbrando com a beleza do por do
sol, ouviu um barulho diferente e algo se mexendo próximo à ilha,
era uma garrafa.
- Nossa,
olha só aquilo! Exclamou impressionado. - Vou lá pegar!
José saiu
correndo pela areia e pegou a garrafa. Estava tampada com uma
rolha. Olhou de um lado, olhou do outro, não havia rótulo, apenas
dava para ver que tinha algo lá dentro. Então disse:
- Humm!
Estranho! Humm, o que será que tem dentro?
José estava
curioso e foi logo abrindo a garrafa. Se deparou com algo
incrível, fantástico, algo que nunca tinha visto, a foto de uma
linda mulher.
Percebeu que
existiam pessoas como ele em algum lugar. De tanto olhar a foto da
linda mulher, ficou apaixonado. Pensou que não ficaria mais
sozinho naquela ilha, e que iria em busca de seu amor. No dia
seguinte, quando o sol apareceu no horizonte, José lhe falou:
- Bom
dia, amigão! Hoje vou navegar, navegar, vou em busca de minha
amada. Preciso construir um barco para cortar mares e chegar até
ela.
O
sol ouviu o que José falava de forma animada, e perguntou:
- Você
já fez um barco antes?
- Não,
mas isso é fácil.
Em seguida, já
estava pegando folhas grandes dos coqueiros e amarrando uma a uma
para poder navegar.
Na primeira
tentativa de colocar o barco na água, uma onda foi suficiente para
desmontá-lo. Jose pensou que talvez se tentasse com algo
diferente... Foi até os coqueiros, pegou dezenas de troncos
pesados e começou a amarrá-los. O segundo barquinho foi ao mar,
mas em pouco tempo se desmontou, fazendo com que José precisasse
nadar bastante até à praia novamente.
Ao chegar na
areia, José sentou-se cabisbaixo e tristonho por ter falhado em
suas tentativas. Pensou em desistir, e seu amigo sol perguntou:
- José,
o que foi?
- Estou
muito cansado e chateado, não vou nunca mais montar um barco na
minha vida. Desisti!
O sol franziu a
testa, e disse:
- José,
o que você quer dizer com isso? Na primeira tentativa você
desiste? Se você quiser concretizar algo precisa ter persistência.
- E o
que é isso? Perguntou José.
O sol continuou:
-
Persistência significa: tentar novamente, conservar-se firme e
constante, continuar, permanecer sem mudar ou variar o intento.
Assim, você ira aprender com as tentativas, até conseguir fazer um
barco resistente o suficiente para navegar até sua amada.
- Ser
persistente! Tentar novamente! Ser persistente, tentar novamente!
José repetiu várias vezes a frase e sorriu para seu amigo,
dizendo: - Obrigado, amigão! Serei persistente.
José
se empolgou com a tal da persistência, e foi fazendo novas
tentativas, até que... De repente, surgiu uma jangada feita de
pequenos troncos alinhados e amarrados um a um com bastante
resistência. José foi testá-lo e gritou ao sol:
-
Persistência, persistência! Amigão, deu certo!
O sol ficou
emocionado com a conquista de seu amigo e disse:
- Vá em
frente, e eu irei te acompanhando para onde tu fores.
José sorriu e
continuou falando o mais alto que conseguiu:
-
Persistência minha amada, estou indo e usarei a persistência até
te encontrar.
José
navegou dias e mais dias até que... - Terra a vista! Terra a
vista!
José desceu do
barco e avistou muitas pessoas, ficava sempre com os olhos bem
abertos, assim poderia ver melhor o que nunca tinha visto antes.
Revirou sua bolsa e encontrou a foto de sua amada.
Em cada lugar
que passava perguntava se a conheciam, na esperança de conseguir
encontrá-la. Porém, já havia procurado em muitas vilas e ninguém
dava notícia da linda mulher. José já estava ficando chateado
novamente, mas lembrou dos conselhos do amigo sol sobre a
persistência. Tomou um fôlego e continuou sua busca. De repente,
olhou para uma mercearia e lá estava ela, linda como na foto.
José correu para
os braços de sua amada e lhe deu um beijo bem demorado. Ela era
muito boa e amorosa, além de saber fazer um bolo de chocolate que
José jamais havia experimentado. José se casou com ela, e sempre
dizia na vila que a recompensa da persistência era sua
felicidade.
Fim!
Sugestão de
Atividades:
O professor
poderá iniciar solicitando as crianças exemplos de persistência.
Com esta atividade descobrirá se as crianças entenderam o
significado da palavra e se conseguem perceberem experiências
parecidas em suas vidas. Algumas perguntas podem ser colocadas,
como: Será que a persistência é importante na nossa vida, no
dia-a-dia? Quem sabe andar de bicicleta? Vocês precisaram ser
persistentes para aprender o equilíbrio necessário para um
passeio? Quem já tirou uma nota ruim e teve que tentar novamente?
Para ficar bom em um jogo é necessário ser persistente? Essa
ligação da história com a própria vida é que trará maiores
aprendizagens para as crianças, e conforme os comentários, o
professor poderá orientar seus alunos. É importante que o
professor não faça comentários, deixando primeiramente os alunos
pensarem, buscarem respostas e só depois fazer as colocações que
considerar necessária.
A atividade de
reciclagem também é indicada. O professor poderá solicitar
garrafas de plástico, canudinhos, tampas, papeis, e qualquer tipo
de material reciclável. Os alunos deverão fazer com estes
materiais barcos, como o personagem da história. A criatividade
deverá ser por conta das crianças. E o professor poderá conversar
com os alunos, quando estiverem confeccionando o barquinho, ou até
mesmo depois de pronto, perguntando qual foi a maior dificuldade,
se precisaram ser persistentes e outras perguntas pertinentes ao
tema.
Dica:
A história
servirá como ponto de partida e o professor poderá dar assas a
imaginação, criando diferentes formas de tratar do assunto, e
estando atendo, outras questões do próprio dia a dia das crianças
surgirão, o que será bom para completar ainda mais o trabalho
sugerido.
Assuntos abordados na coleção:
1. Tina e Tininha - tema principal: medo e coragem.
2. Gustavo – O Grande – tema principal: vergonha.
3.
O Ratinho Cosme – tema principal: prática da felicidade.
4.
Menino Thobias – tema principal: mentira.
5.
A Persistência de José – tema principal: persistência.
6.
A Formiguinha Zóz – tema principal: percepção de mundo e
mudança interior.
7.
Bia – E o Brinde à Saúde – tema principal: cigarro – vícios.
8.
A Casa de Dik Dik – tema principal: diferentes brincadeiras para o desenvolvimento infantil.
9.
A Vaca e a Aranha – tema principal: agrotóxicos e agricultura
natural.
10.
João e Soneca - tema principal: elaboração do luto.
| |
AUTORA:
Viviane Scarpelo Comin.
CRP: 06/75424. Psicóloga
clínica, hipnoterapeuta e orientadora vocacional.
Atendimento à crianças, adolescentes, casais e família. CONTATO:Site:www.delphospsicologia.com.br vivianecomin@portaldelphos.com.br
|
|
Texto
publicado na Revista Direcional Escolas em Julho de
2006 - Edição 18.
|