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Histórias
que Encantam Crianças
Por Viviane Scarpelo
É
um prazer apresentar a vocês educadores o novo espaço da revista
Direcional Escolas: “Histórias que Encantam Crianças”, que
faz parte da coleção “Aprenda Divertindo-se com Histórias”.
Esta tem como objetivo, abordar aspectos psicológicos de forma
sutil e prazerosa, como: vergonha, persistência, luto e coragem,
assim como a prática de virtudes e assuntos relacionados a
alimentos orgânicos e a manutenção da saúde física.
Nos
utilizamos da Psicologia, porque está é a ciência que estuda a
mente humana, e por meio dela, é possível conhecer a si próprio,
seus sentimentos, pensamentos e ações. De forma indireta,
podemos levar a criança a pensar e aprender sobre valores humanos
que serão de grande utilidade para suas vidas. Com isso, as crianças
têm a possibilidade de trocar experiências com seus colegas, além
de autoconhecerem-se, o que aumenta as chances de no futuro
tornarem-se adultos mais saudáveis e felizes.
Como
uma forma de levar a criança à prática, será indicado em cada
edição, além da história, diferentes atividades para serem
realizadas na sala de aula. Poderão ser perguntas geradoras de
possíveis novos pensamentos, assim como, atividades que darão ao
aluno a possibilidade de realizar no seu dia-a-dia o que for
sugerido na história.
Nesta
edição, serão apresentados todos os temas abordados no período
de dez edições. O material será disponibilizado de tal forma
que se possa destacar o módulo da revista, facilitando assim o
manuseio, e a organização do material em uma pasta com toda a
coleção. O material é destinado a crianças a partir dos sete
anos, sendo que pode haver adaptações para menores.
A
primeira história trata de medo e coragem. São duas tartarugas
marinhas, onde a mãe ensina a filha que o medo numa situação de
perigo é um sentimento normal a todo ser, mas que em grande
quantidade pode gerar paralisações. A coragem será mostrada
como um modelo de enfrentamento, equilibrando a vida psíquica.
Vamos
conhecer a primeira história:
Tina
e Tininha
Era
uma vez uma tartaruga marinha chamada Tina, muito grande, bonita e
que adorava nadar. Vivia no oceano Atlântico e lá tinha muitos
amigos, desde os mais pequeninos, como o cavalo marinho e a ostra,
até os maiores, como o peixe-espada e o próprio tubarão. Tina
tinha uma filha, a Tininha, porém esta ainda não havia entrado
no mar.
As
tartarugas marinhas colocam ovos na areia e quando seus filhos
nascem, por si próprios vão direto para a água, encontrando seu
verdadeiro lar. A Tininha nunca havia provado o gosto da água
salgada: ficava na areia, olhando de longe o bonito mar, mas
sentia muito medo só de pensar em mergulhar.
As
tartarugas mães ficam aguardando suas filhas no mar. Como Tininha
não aparecia, sua mãe ficou preocupada, e foi até a areia ver o
que estava acontecendo.
-
Tininha, minha filha, cadê você? Perguntou Tina preocupada.
-
Aqui mamãe. Respondeu Tininha, saindo de trás de um castelo de
areia feito por um garotinho no dia anterior.
-
Venha filha, vamos para casa, vamos para o mar. Disse Tina.
-
Não consigo mãe, estou sentindo muito medo. Disse Tininha
baixando a cabeça.
Imaginava
que era uma vergonha para sua mãe, ter uma filha diferente das
outras tartarugas. Tina achou melhor ter uma conversinha com
aquela jovem tartaruguinha, e explicar algumas coisas sobre a
vida. Iniciou sua conversa dizendo:
-
Filha, quando eu tinha a sua idade também sentia medo, e não era
só do mar, sentia medo de peixes, animais e crustáceos. Quando
vi pela primeira vez um caranguejo, quase morri de susto. Está
certo que eles são estranhos, mas não precisava ter gritado do
jeito que gritei!
Ao
contrario do que Tininha havia pensado, sua mãe não estava com
vergonha dela, e sim, achava que tinham aspectos parecidos. Tina
continuou sua explanação:
-
O medo faz parte de todos nós, é absolutamente normal, assim
como a alegria, a tristeza, a dor e o prazer. Quanto ao medo, é
preciso enfrentá-lo, e para isso, nada melhor do que a coragem.
Tenha coragem para conhecer o novo, minha filha!
Tininha
olhava sua mãe atentamente, mas não sabia o que falar. Gostaria
muito de acompanhá-la num belo mergulho, mas o medo conseguia
paralisá-la. Tina fitou os olhos de sua filha e disse:
-
Tudo é questão de aprendizagem e treinamento. Vamos tentar
juntas entrar no mar?
Tina
estava tentando fazer a filha ir à luta, ou melhor, ir à água,
e experimentar a nadar. Empenhou-se em ensiná-la a enfrentar o
seu medo com a coragem, e então, pegou-a pela pata e foi
caminhando lentamente em direção ao mar. Tininha tremia, mas não
era de frio, era de medo. Sua mãe disse:
-
Coragem filha, o novo pode ser diferente do que você pensa.
Coragem!
Tininha
bem que se esforçava, mas conforme as ondas iam em sua direção,
ela corria para trás. De repente, pisou pela primeira vez na água,
e recuou. Sua mãe sorriu e foi logo dizendo:
-
Parabéns! Você sentiu a água. Está gelada, né? O que achou?
-
Eu, eu.... gostei! Respondeu Tininha.
Tina
nem deixou a filha terminar de falar e foi logo perguntando:
-
Vamos mais um pouquinho? Que tal agora você contar com sua
coragem?
-
Tininha ainda sentia medo, mas com o incentivo de sua mãe, e também
pelo fato de sentir-se mais segura com ela por perto, resolveu
aproveitar a oportunidade.
-
Está bem mãe, vamos lá. Disse Tininha, respirando profundamente
como para encher-se de coragem.
O
mergulho foi lindo. Tininha ficou surpresa ao perceber que nadar não
era complicado quanto parecia. Sentiu-se feliz e disse à sua mãe
que queria conhecer tudo, tudinho que existisse em sua casa, o
mar. Para isso, contaria com a coragem para conhecer o novo.
-
Sim Tininha, você conhecerá tudo. Disse sua mãe, feliz.
Em
poucas semanas, Tininha já havia se acostumado com seu lar e com
todos os seres marinhos.
-
Bom dia, Sulan! Cumprimentou Tininha seu mais recente amigo.
-
Bom dia, Tininha. Respondeu o polvo Sulan, abraçando-a com seus
enormes tentáculos.
Tininha
sorriu e pensou que ainda bem que tinha bastante coragem, para
poder ter um amigo tão grande, diferente, forte e estranho como o
Sulan.
Fim!
Sugestão
de Atividades:
O
professor(a) poderá contar a história para as crianças de forma
dinâmica, ou seja, com interpretações e encenação. Também
pode pedir para que cada criança leia uma parte da história em
voz alta, sendo que todas devem ter o material para acompanhar. Após
a leitura, o professor(a) poderá organizar a turma num círculo,
e fazer perguntas do tipo: Alguém já passou por uma
situação de medo? Como foi? Do que vocês têm medo?
Porque esse medo começou? O que vocês fazem quando estão com
medo de alguma coisa? O que fez para superar esse medo? Alguém
tem uma história sobre coragem? O que vocês acharam mais legal
na história da Tina e da Tininha? As
crianças acabarão interagindo, o que gerará possíveis novos
pensamentos sobre medo e coragem. Se a quantidade de alunos
permitir, é possível dividi-los em grupos para que haja uma
troca de experiências. Estas poderão
ser escritas e entregues ao professor(a), que poderá fazer comentários
que achar pertinente, dando atenção a alguma dificuldade que
surgir. Com estas atividades, é possível incentivar a ajuda mútua
entre os alunos. Outra possibilidade é uma pequena encenação
realizada pelos grupos mostrando situações de medo, que podem
ser real ou não e, como utilizaram-se da coragem para a
superação.
Os
assuntos abordados nas próximas edições serão:
2.
Gustavo – O Grande – tema principal: vergonha.
3.
O Ratinho Cosme – tema principal: prática da felicidade.
4.
Menino Thobias – tema principal: mentira.
5.
A Persistência de José – tema principal: persistência.
6.
A Formiguinha Zóz – tema principal: percepção de mundo e
mudança interior.
7.
Bia – E o Brinde à Saúde – tema principal: cigarro – vícios.
8.
A Casa de Dik Dik – tema principal: diferentes brincadeiras para o desenvolvimento infantil.
9.
A Vaca e a Aranha – tema principal: agrotóxicos e agricultura
natural.
10.
João e Soneca - tema principal: elaboração do luto.
De
forma divertida e ludoterápica, as crianças estarão aprendendo
sobre sentimentos e valores humanos. Estamos a disposição para
possíveis esclarecimentos, e abertos a críticas e sugestões
para melhorar a cada edição.
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AUTORA:
Viviane Scarpelo Comin.
CRP: 06/75424. Psicóloga
clínica, hipnoterapeuta e orientadora vocacional.
Atendimento à crianças, adolescentes, casais e família. CONTATO:Site:www.delphospsicologia.com.br vivianecomin@portaldelphos.com.br
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Texto
publicado na Revista Direcional Escolas em março de
2006 - Edição 14.
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