Por
que eu nasci? Por que o papai tem barba?”A época varia
conforme a criança, mas pode ter certeza de que você não
vai escapar: elas adoram (e precisam) perguntar o porquê
das coisas.
Antes de começar a se expressar pela linguagem, o
aprendizado do seu filho ocorria pelo toque. Mexer nas
coisas e levá-las à boca era a melhor forma de descobrir
o mundo à sua volta. Com o estímulo dos pais, ou o
convívio com outras crianças, esse mundo começa a
parecer cada vez maior e mais complicado.
O
pesquisador suíço Jean Piaget (1896-1980) chamou essa
fase que vai dos 2 aos 7 anos de pré-operacional. É
quando a criança começa a representar as coisas do mundo
por palavras; no entanto, ela ainda não é muito boa na
hora de fazer relações e conservar as idéias. É por isso
que ela pode te repetir dez mil vezes a mesma pergunta.
E você vai ter de dar dez mil vezes a mesma resposta.
Quando o momento do interrogatório chegar, preste
atenção em seu filho e tente entender o que ele quer
dizer. Nunca diga que a pergunta é boba ou brigue por
causa de algo que ele perguntou.
As respostas precisam ser as mais simples possíveis, sem
deixar, contudo, de dizer a verdade. Sempre. Isso é
fundamental, pois estabelece uma relação de confiança.
Se não souber responder, reconheça e vá pesquisar a
informação junto com ele em um mapa ou uma enciclopédia.
A máxima “porque sim não é resposta” é verdadeira, mas
de nada vai adiantar fazer um discurso sobre o
desenvolvimento do polegar opositor na passagem dos
macacos à raça humana se ele só queria saber por que a
mão tem cinco dedos. É pra segurar as coisas, oras!
Informação demais confunde.
Uma
maneira básica e bacana de tirar as dúvidas dos pequenos
curiosos é pedir ajuda para os livros infantis. Conforme
eles forem crescendo, dá pra fazer uns joguinhos e
estimular o raciocínio. Se a criança pergunta “por que a
girafa tem um pescoço comprido”, você pode devolver a
dúvida em tom de brincadeira: “É mesmo, por que será?”
O
esforço dos pais vale a pena. “É nessa idade que a
criança vai ganhar gosto pelos estudos e por aprender”,
explica Michele Breslauer, mãe de David e Esther,
psicopedagoga. Mas, nessa idade, “por quê” nem sempre é
“por quê” de verdade... Às vezes, ele pode significar
“fale mais”. É um momento gostoso esse de ensinar e ver
o outro se abrindo para a vida. “Os pais podem
aproveitar essa fase para ampliar suas próprias
percepções”, lembra a psicóloga Viviane Scarpelo,
especialista em psicoterapia de casal e família.