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Histórias
que Encantam Crianças
Por Viviane Scarpelo Comin
Estamos na era do
computador e, assim como os adultos, as crianças se encantam com
tanta tecnologia. Horas e horas são gastas em frente à telinha
"mágica”. Por um lado é bom, garantindo mais conhecimento e
entretenimento, por outro, pode prejudicar o desenvolvimento
físico e o contato com outras crianças, dificultando as
aprendizagens ligadas ao convício social. Nesta edição abordamos
este tema, enfatizando a importância do equilíbrio entre as
diferentes atividades realizadas pelas crianças.
Vamos conhecer a
história:
A
Casa de Dik Dik
Era uma vez uma casa
muito bonita, tinha uma sala, cozinha e subindo as escadas, havia
dois quartos, um com uma cama grande, outro com uma cama pequena,
onde dormia um menino. Ele morava nesta casa a mais de um ano e
nunca saia de seu quarto. Na casa vizinha morava Rosa, uma menina
que gostava de dançar, cantar, ouvir músicas, andar de bicicleta e
plantar flores no jardim.
O menino da casa ao lado
deixava Rosa intrigada, quando olhava para a janela do quarto
dele, às vezes o via passar e logo sumia novamente. Ele não olhava
na janela e nem saia em seu quintal. De seu quarto saia um som:
tic tic tic, que Rosa ouvia todos os dias. O que será esse tic tic
tic? Por que será que ele não sai do quarto?
Rosa ficou tão curiosa
que resolveu subir pelos canos até o quarto do garoto para ver o
que ele fazia. A cortina branca a impedia de ver, mas ouvia o tic
tic tic. Rosa puxou a cortina e lá estava o menino sentado na
frente de um computador, e o tic tic era o som do teclado.
- Aah!
Exclamou Rosa, escorregando e chamando a atenção do garoto.
- Quem
esta aí? Perguntou ele olhando para a janela.
Rosa ficou quietinha.
Ele se aproximou da janela e olhou para fora.
- Oi!
Disse Rosa.
O
menino franziu a testa e perguntou:
- O que
você esta fazendo aí?
Rosa estava quase
despencando dos canos, mas respondeu:
- Acho
que vou cair, você poderia me convidar para entrar?
- Pela
janela? Perguntou o menino.
- Sim,
urgente, vou cair! E deu um escorregão.
O menino a puxou pela
mão até o seu quarto.
- O que
você quer? Perguntou o menino.
Rosa parecia não ter
ouvido o que ele havia perguntado, apenas olhava curiosa ao seu
redor. Viu uma cama forrada com uma colcha azul, um carrinho no
chão, uma bola, um peão, um par de patins e um computador.
- Me
chamo Rosa e você? Perguntou esticando a mão para o menino.
- Não
vou falar, nem sei de onde você veio. Disse o menino.
- Sou
sua vizinha, é que você não sai de casa, como poderíamos nos
conhecer. Já que você não quer falar o seu nome vou chamá-lo de
Dik Dik, para rimar com o som que sai do seu quarto todos os dias.
Dik Dik que faz tic tic. Disse Rosa sorrindo, mas o menino pareceu
não gostar.
- Vá
embora! Disse ele.
- Como
assim? Eu arrisco minha vida para subir até aqui e depois você me
pede para ir embora. Não, não! Respondeu Rosa e foi na direção do
computador.
- O que
você tanto faz neste computador? Perguntou ela.
- Eu
jogo. Respondeu Dik Dik.
- Só
isso! Perguntou Rosa.
- Como
só isso? É um super computador, com muitos e muitos jogos. Disse
Dik Dik.
- E o
resto? Perguntou Rosa.
- Que
resto?
- Ah!
Brincar, passear, conversar, ver o sol, se divertir. Você precisa
ver como aqui no bairro tem crianças legais. E se quiser pode
conhecer o jardim de minha casa, eu mesmo planto as florzinhas.
Com sua bola nós podemos jogar lá no campinho e se quiser pode
levar seu carrinho também. Dik Dik ficou impressionado com o que
Rosa estava falando. Ele gostava tanto de jogar no computador que
havia se esquecido que tinha carrinho, bola e outros brinquedos.
Pensou que poderia sair de casa e brincar, mas também não queria
deixar dos jogos. Então, arrumou uma saída inteligente: um pouco
em casa e um pouco fora, com os amigos.
No dia seguinte, Rosa
estava no jardim regando as flores, quando ouviu:
- Ei,
psiu! Vamos jogar.
- Dik
Dik! Disse Rosa sorrindo.
Os dois se tornaram
grandes amigos. Rosa o apresentou a todas as crianças do bairro.
Dik Dik aprendeu que dividindo seu tempo poderia fazer mais coisas
do que imaginava. Passou a jogar bola, andar de patins e rodar
peão, além de jogar no computador. Certo dia, quando estava
ajudando Rosa no jardim, disse a ela:
-
Obrigado por ter me lembrado que existem outras coisas gostosas na
vida. Falou e deu um beijo em seu rosto.
A menina ficou com as
bochechas vermelhas de vergonha, e sorriu feliz com seu novo amigo
Dik Dik.
Fim!
Sugestão de
Atividades:
O educador
poderá conversar com as crianças sobre a história. Dê preferência
por um ambiente descontraído e se possível tire as crianças do
padrão das carteiras em fila, colocando-as em circulo, por
exemplo. Isso garantirá um maior entrosamento do grupo. Deixe que
as crianças falem suas idéias, seus pensamentos e que contem um
pouco sobre elas mesmas, se a algo na história que discordam ou
concordam e por quê.
Outra
alternativa, é levar os alunos ao pátio e deixa-los brincar,
envolvendo-as com brincadeiras como: amarelinha, pega-pega,
ciranda e passa anel. Neste dia o professor poderá pedir que cada
criança traga um brinquedo e dê uma sugestão de brincadeira.
Dica: O
educador poderá sempre que possível perguntar aos alunos como
estão se sentindo, para que os mesmos possam entram em contato com
suas próprias emoções e sentimentos.
Assuntos abordados na coleção:
1. Tina e Tininha - tema principal: medo e coragem.
2. Gustavo – O Grande – tema principal: vergonha.
3.
O Ratinho Cosme – tema principal: prática da felicidade.
4.
Menino Thobias – tema principal: mentira.
5.
A Persistência de José – tema principal: persistência.
6.
A Formiguinha Zóz – tema principal: percepção de mundo e
mudança interior.
7.
Bia – E o Brinde à Saúde – tema principal: cigarro – vícios.
8.
A Casa de Dik Dik – tema principal: diferentes brincadeiras para o desenvolvimento infantil.
9.
A Vaca e a Aranha – tema principal: agrotóxicos e agricultura
natural.
10.
João e Soneca - tema principal: elaboração do luto.
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AUTORA:
Viviane Scarpelo Comin.
CRP: 06/75424. Psicóloga
clínica, hipnoterapeuta e orientadora vocacional.
Atendimento à crianças, adolescentes, casais e família. CONTATO:Site:www.delphospsicologia.com.br vivianecomin@portaldelphos.com.br
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Texto
publicado na Revista Direcional Escolas em outubro de
2006 - Edição 21.
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