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Entrevista
com a psicóloga Viviane Scarpelo para a Revista ISTO É
Comportamento
AMOR NO VERMELHO
Como evitar que o
casamento e a família se deteriorem por causa das brigas geradas
pelo descontrole financeiro
Por
Carina Rabelo
No princípio,
era só o amor. Depois, vieram as contas e a crise. Desse modo,
muitos casais descrevem um drama que se torna cada vez mais comum:
as brigas por causa dos descontrole financeiro. A casos em que a
tensão entre marido e mulher é tão grave que encerra o casamento.
De acordo com a advogada Elaine Takara, especialista em direito de
família e pesquisadora em divórcios, cerca de 75% das separações
judiciais no Brasil são alimentadas por alguma dificuldade na
relação com o dinheiro. Os motivos variam da má gestão do
orçamento até diferenças no jeito individual de lidar com as
finanças, especialmente se um é controlador e o outro é o seu
oposto.
Freqüentemente, a crise conjugal nasce quando um dos lados
menospreza os ganhos do companheiro. Na hora em que o dono do
salário maior ergue a voz para dizer que sustenta a casa,
instaura-se o caos. Até porque nem sempre isso é verdade. “Muitas
vezes, o problema começa porque o homem exagera nos próprios
rendimentos e subestima a renda da mulher. Mas há aqueles que,
mesmo recebendo menos, administram melhor o dinheiro”, comenta Jay
Zagorsky, professor da universidade de Ohio (EUA), que estudou a
relação dos casais com as finanças.
75% DOS DIVÓRCIOS
ENVOLVEM PROBLEMAS COM O DINHEIRO
Se o salário
menor pertence ao marido, surge outro dilema. Para algumas
pessoas, é difícil aceitar a menor participação masculina no
orçamento. O carioca Marcio Campos se queixa de ter sido
abandonado pela esposa ao perder o emprego. Ela se recusou a pagar
contas por acreditar que o homem tem a obrigação de bancar a
família. “ Arcava sozinho com tudo. Precisei de apoio e não tive.
Ela estava empregada”, afirma. As discussões aumentaram e o casal
se separou.
Cumplicidade, de
fato, é a chave para a superação na crise. “ Tudo depende da
capacidade de marido e mulher se apoiarem”, diz a psicóloga Estela
Tomas, especialista em relacionamentos e carreira. O casal
paulista Carol e Guilherme Dedivitis conseguiu contornar o caos.
Ela era dona de uma agência de publicidade e ele, vendedor de
carros. Um dia Guilherme foi despedido e a mulher soube que estava
grávida. As despesas aumentaram e a renda familiar despencou. Ele
arregaçou as mangas e se tornou babá do filho. Hoje, a situação
está inversa. Carol fechou a empresa e não tem renda. Guilherme,
atualmente diretor de uma empresa de blindagem, dá o dinheiro. O
casal, que agora tem dois filhos, controla as despesas com rigor.
“A solução para vencer as dificuldades é a compreensão. Entendo o
que ele passou”, conta Carol.
A momentos,
porém em que a intervenção de um profissional é necessária.
Principalmente quando o casal é inexperiente na administração de
despesas. Kleber e Sandra Barbosa, de São Paulo, tomaram um susto
após a festa de casamento. As contas chegaram a R$ 20 mil, muito
além do esperado. O casal se atolou em dívidas e quase rompeu.
“Brigamos muito. Foi uma faze difícil”, lembra Kleber. A dupla se
organizou para cobrir o rombo, mas só se estabilizou com
psicoterapia. “É fundamental o diálogo na hora de gastar e pagar
as contas. O casal precisa ter plena consciência da real situação
financeira”, afirma a psicóloga Viviane Scarpelo, que atende
Kleber e Sandra. Outra dica é aprende a administrar o caixa. E
isso pode ser compartilhado por todos. “ O plano de gastos deve
ser realista, sincronizado com os objetivos da família e
adaptáveis a mudanças”, diz o economista Paulo Dantas,
especialista em planejamento do orçamento doméstico. Vale recordar
que trocar alianças significa também dividir gastos. Na riqueza e
na pobreza.
PLANEJE O ORÇAMENTO
-
Monte uma planilha
com os gastos do mês. Obrigue-se a cortar despesas, moderando,
por exemplo, o consumo de bebidas ou uso de celular. Imponha um
limite de preço para eventuais compras, como roupas. Tudo
discutido pelo casal para que não haja atrito.
-
Se precisar fazer
uma compra que exija um bom dinheiro, informe-se sobre o produto
antes de partir para as lojas. Compare preços. Para fechar o
negócio, avalie a qualidade e pondere se o custo vale a pena.
-
Quando for ao
supermercado leve uma lista de compras e atenha-se a ela. Isso
reduz gastos com supérfluos, mas preste atenção às ofertas de
itens realmente necessários.
-
Em tempos de aperto
aproveite as atrações culturais gratuitas. Concertos em parques
e exposições de arte podem ser passeios interessantes.
Fonte: Revista ISTO
É - 30 maio/ 2007 nº 1961 Ano 30
Confira a entrevista
completa de Viviane Scarpelo concedida à Revista Isto É.
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