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Entrevista
com a psicóloga Viviane Scarpelo para a Revista ISTO É para a
elaboração da matéria: Amor no vermelho.
Revista Isto É: Que tipo de problemas – na relação com
dinheiro – são mais freqüentes entre os casais?
Viviane Scarpelo:
Quem é que nunca pensou em viver com a pessoa que gosta, no “lar
doce lar”, precisando apenas de amor? Esta infelizmente não é
nossa realidade, podemos sim, viver no “lar doce lar”, mas para
tê-lo e mantê-lo, precisamos de dinheiro. Este acaba permeando
nossas vidas e para quase tudo precisamos dele. Nos vestimos, nos
alimentamos, nos divertimos etc, e para tudo isso, precisamos
desta moeda de troca. Ao longo de nossas vidas percebemos a
importância de aprender administrá-lo, como ganhar, investir e
usufruir. Nas livrarias encontramos diferentes livros abordando
este tema, assim podemos aprender a fazer bons negócios. Além do
conhecimento financeiro, é necessário saber sobre si mesmo, seu
estado psíquico e emocional. Uma pessoa calma, tranqüila, segura e
equilibrada talvez administre melhor seu dinheiro do que alguém
que esteja triste, deprimido, com raiva, inseguro etc. No
relacionamento a dois pode haver diversas dificuldades com relação
a falta de dinheiro e até mesmo a como administrar o dinheiro que
possuem. Vejamos alguns exemplos: a falta de dinheiro no
relacionamento a dois pode gerar insegurança, ansiedade com
relação ao futuro, angústias, incerteza. O casal pode chegar ao
desespero por não ter recursos para a alimentação deles próprios e
dos filhos. Ganhar pouco ou estar desempregado pode ser visto como
um fracasso, gerando pensamentos auto destruidores, diminuindo a
auto-estima e a auto-confiança. Não possuindo dinheiro para saldar
dívidas, honrar compromissos, pode gerar conflitos e
desentendimentos. O estresse começa a fazer parte do dia a dia do
casal, que sem recursos, não pode ter momentos de lazer e prazer.
Por outro lado, quando se tem um bom trabalho e dinheiro, se não
existe equilíbrio, um dos dois pode trabalhar demasiadamente, e os
conflitos começam a aparecer. Pode haver disputa do casal pelos
bens, assim como discordâncias pelo tipo de investimento ou gasto
que será feito.
IÉ: Que
providências o casal deve tomar para que a relação não se desgaste
com os problemas financeiros?
VS: O casal
primeiramente pode conversar buscando idéias que possam solucionar
os eventuais problemas pelos quais estão passando. A comunicação é
sempre bem vinda, e geralmente, traz benefícios ao casal. Se não
estão conseguindo sozinhos encontrar saídas, o ideal é que
procurem ajuda psicológica. É bom lembrar que o trabalho do
psicólogo é colaborar com idéias para que o casal possa ter mais
qualidade de vida. Com a psicoterapia de casal será possível
perceber os sentimentos que estão ligados a toda problemática, e
fazer o caminho inverso. Muitas vezes o problema financeiro é uma
fase, e o casal poderá passar tranqüilamente por ela.
IÉ: Quem, em
geral, gasta mais: o homem ou a mulher?
VS: As mulheres
e os homens possuem necessidades diferentes. O que precisa ser
verificado, é o porque estão gastando. Muitas pessoas fazem
compras para suprir uma falta, num momento de tristeza, compram
“coisas” numa tentativa de preenchimento, porém depois se deparam
com dívidas e com a mesma sensação de vazio.
IÉ: Como e
onde, normalmente, o homem gasta dinheiro? E a mulher?
VS:
Infelizmente em nossa sociedade estamos condicionados ao
consumismo. Mulheres e homens precisam ter algo para ser alguém.
Os homens acabam gastando dinheiro com carros novos e roupas,
preocupando-se com status. A mulher para ser aceita precisa gastar
incessantemente com produtos e tratamentos de beleza, pois assim
acredita que pode ser mais valorizada. Fica a pergunta:
trabalhamos para realizar nossos desejos, ou o desejo dos outros?
IÉ: Ainda são
comuns casos de casamentos que vão à ruína porque ela ganha mais
do que ele?
VS: Existem
sim, homens que não aceitam o fato da mulher ganhar mais,
sentem-se ameaçados e impotentes. Todavia, parece estar aumentando
a quantidade de homens que lidam bem com o fato da mulher manter
uma atividade de trabalho melhor remunerada. Acredito que o que
vai gerar uma relação mais saudável para o casal é a comunicação,
se eles conversam abertamente sobre o que sentem e conseguem
respeitar um ao outro, fica mais fácil lidar com qualquer
situação.
IÉ: Tem sido
freqüentes casos de homens que encostam na mulher e ficam sem
trabalhar?
VS: O que pode
acontecer é a acomodação. Se o homem fica desempregado e tem
dificuldade de encontrar emprego, muitas vezes acaba por
acostumar-se a situação e acomodar-se. Muitos casais acabam tendo
conflitos exatamente por não dividir mais as responsabilidades. A
mulher acaba sobrecarregada, estressada, cansada, podendo até
mesmo desenvolver uma doença psicossomática devido a todo o
estresse e preocupação. O mesmo pode ocorrer com o homem que neste
caso, se sente sozinho para arcar com todas as despesas e
compromissos.
IÉ: Quais são
os possíveis efeitos de uma grave crise financeira na saúde mental
do indivíduo?
VS: Ao passar
por uma crise financeira, primeiramente a pessoa se depara com a
frustração. Não poderá ter mais as coisas que tinha, assim como
fazer coisas que costumava fazer. Caso não consiga lidar com essas
frustrações e encontrar saídas, poderá sentir-se incapaz,
fracassado, inseguro, com baixa auto-estima, não terá
auto-confiança, assim como, poderá entrar num processo de
depressão, percebendo apenas o aspecto ruim do mundo, dos outros e
de si mesmo. No caso de uma crise financeira, é importantíssimo o
acompanhamento psicológico, onde poderá ser realizado um trabalho
até mesmo preventivo quanto aos possíveis danos desse período.
IÉ: Como os
psicólogos trabalham com casais em crise por problemas
financeiros? Quanto tempo, em média, dura a terapia de um casal
nestas condições?
VS:
Primeiramente é importante ajudar o casal a pensar quais os
sentimentos que estão envolvidos em toda dinâmica que estão
enfrentando. Se estão com medo, inseguros, frustrados, ansiosos. É
comum quando passamos por uma dificuldade, ver apenas os pontos
negativos da situação. Um exemplo é quando temos uma dor no dedão
do pé. Só falamos da dor e como isso nos atrapalha. Esquecemos que
continuamos respirando, com o coração batendo, etc. Na
psicoterapia de casal será possível ver os pontos positivos, e
buscar soluções para os pontos negativos, gerando
conseqüentemente, bem estar e qualidade de vida ao casal. A
duração da terapia geralmente é breve, entre oito e doze
atendimentos são suficientes para trabalhar o foco que causa
desconforto ao casal.
IÉ: Quando o
casal chega ao ponto de pedir o divorcio por divergências na forma
de administrar os bens, a situação ainda pode ser conciliável?
VS: Por meio da
comunicação e da capacidade de lidar com seus sentimentos e
compreender os sentimentos do outro, é possível reverter sim uma
situação de divórcio. Muitos casais que se amam, acabam divergindo
em alguns pontos e sacrificando o casamento por falta de
conhecimento e de novas possibilidades frente às dificuldades. Na
psicoterapia podemos aprender a lidar com nossos sentimentos e
utilizá-los a nosso favor. Assim, o casal terá chances de
compreender e solucionar qualquer questão, valorizando o amor que
sentem e prosperando juntos.
IÉ: Qual a sua
especialidade?
VS: Sou
especialista em Psicoterapia de Casal e Família.
Viviane Scarpelo
Psicóloga e
Hipnoterapeuta
Especialista em
Psicoterapia de Casal e Família
CRP: 06/75424
Consultório: Rua Frei
Caneca, 1407 – conj. 210
Cerqueira Cesar – São
Paulo – SP
(travessa Av.
Paulista)
Fones: (11) 3266-8676
/ (11) 9839-3018
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