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Crianças
no Divã
Por: Fabílola Zanetti
Entrevistada: Viviane
Scarpelo
A criança em sua
essência é saudável. No entanto, pode ser o receptáculo de
problemas e reagir negativamente às influências do meio em
que vive, ao longo do tempo. Quando ela passa a apresentar
transtornos depressivos, de ansiedade, problemas
alimentares, de ordem escolar e convívio social ou de
conduta, a psicoterapia infantil pode ser o melhor caminho
para o resgate da saúde. “Ela restabelece o equilíbrio da
saúde, o bem-estar físico, psíquico e espiritual. Além
disso, proporciona a construção de um vínculo de confiança e
de um espaço para expressão dos sentimentos. A criança
aprende a se descobrir e a resgatar sua força interior,
permitindo expressar-se, respeitar e confiar em si mesma e
nos outros”, afirma a psicóloga, com formação em
gestalt-terapia e arte-terapia, Cristiane Calvo, de Rio
Preto. É indicada quando a criança encontra-se numa situação
de sofrimento e/ou de ajustamento disfuncional,
principalmente no meio familiar ou na escola. “Claro que, em
muitos casos, a família necessita de terapia, mas acaba
encaminhando a criança para tratamento, pois ela passa a ser
o receptor dos problemas vividos em casa”.
O papel dos pais no processo, de acordo com a psicóloga, é
de fundamental importância, pois são eles que passam a maior
parte do tempo com as crianças e que serão os responsáveis
pela atuação nas mudanças de comportamento orientadas pelo
profissional. “Os genitores podem ajudar a criança,
permitindo que ela se expresse e comunique os seus
sentimentos”, afirma. A abordagem mais utilizada da terapia
infantil é a ludoterapia, procedimento técnico de terapia
clínica, que faz uso de brinquedos e do brincar para ter
acesso aos conflitos infantis. Inicialmente, um
psicodiagnóstico (testes) vai determinar a origem dos
problemas e, posteriormente, a teoria será responsável por
todo embasamento, foco e resultados colhidos no tratamento
da criança. O processo dependerá do comprometimento dos
responsáveis da criança e das conseqüências que o mesmo
poderá trazer. Após alguns meses de atendimento, as crianças
mudam suas atitudes, melhoram na escola mas, muitas vezes
elas são apenas o sintoma de toda uma outra problemática. Um
exemplo é quando os pais, inconscientemente, acabam
transferindo para a criança todos os problemas da relação.
“Na maioria dos casos inicia-se o tratamento com uma terapia
infantil, que às vezes evolui para uma para terapia de casal
ou familiar”, diz Renata Homem de Mello, mestre em Psicóloga
e psicopedagoga, de São Paulo. Segundo Viviane Scarpelo,
psicóloga e hipnoterapeuta, especialista em Psicoterapia de
Casal e Família, a terapia vai ajudar na auto-estima, na
autoconfiança. “A criança geralmente passa a entender porque
está com ciúme, porque acaba sendo agressiva. Assim,
descobrindo quais os sentimentos que estão envolvidos nas
suas atitudes do dia-a-dia, poderá mudar”. Segundo as
especialistas, toda criança vivencia sentimentos difíceis ao
longo da infância. Angústia, medo, insegurança, timidez,
tristeza, agressividade podem acontecer em maior ou menor
grau já que fazem parte do desenvolvimento afetivo,
comportamental e intelectual. A diferença é como cada um
lida com eles.
“Muitas vezes, os pais conseguem encaminhar o filho para uma
solução, mas em algumas situações é preciso ajuda de um
profissional, principalmente quando as dificuldades demoram
para ser superadas, os sintomas começam a se fixar e a
trazer problemas para o desenvolvimento da criança”, afirma
Viviane. Ela afirma que crianças que fazem terapia têm maior
clareza do que vivenciam internamente, conhecem melhor os
próprios sentimentos e com isso se tornam mais felizes, pois
eliminam a ansiedade e a angústia decorrentes da confusão
nessa fase.
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Texto
publicado no site Diarioweb.com.br 22/01//2008
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